6 Passos para elaborar uma APR – Análise Preliminar de Risco- que funciona!

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Créditos: EHS Today

Todo profissional de segurança do trabalho acha que sabe como fazer uma APR – Análise Preliminar de Risco. De fato é um dos conhecimentos básicos que se espera que um membro do SESMT tenha. Mas você sabe mesmo elaborar uma APR?

Em meus anos como Engenheiro de Segurança do Trabalho, já vi várias APRs: umas excelentes, outras ruins, algumas incompletas, outras copiadas, enfim, de todos os tipos. Mas é fato que poucas vezes encontrei uma APR completa e que funcionasse no ambiente de trabalho.

Para resolver esta lacuna existente, resolvi escrever sobre como elaborar uma APR que funciona e que seja completa! E são 6 passos que devem ser seguidos para que uma Análise Preliminar de Risco seja a ideal.

Lembre-se: Sem um entendimento quanto aos riscos e perigos que os funcionários estão expostos diariamente, é impossível que fiquem seguros!

Vamos ao passo a passo:

1 – Selecione o trabalho a ser analisado

O primeiro passo a ser feito é identificar qual o trabalho a ser analisado. Isto pode parecer óbvio, mas vi já encontrei APRs genéricas sendo utilizadas no ambiente de trabalho. Cada atividade possui seus perigos e riscos, então, é necessário com que haja uma especificidade.

Caso a APR de uma determinada atividade já exista, importante lembrar que, em caso de qualquer alteração na forma de realizar a tarefa, a análise de risco deverá ser atualizada. Mantenha o histórico de atualizações, é importante ter um rastreio do que mudou.

Caso você seja o responsável por iniciar uma gestão de segurança em uma empresa, opte por elaborar a APR para aquelas atividades que possuam maiores índices de eventos; depois aquelas que possuem maior potencial de causar lesão ou doenças, depois novos processos implementados e por fim, trabalhos mais complexos que precisam de instruções escritas, como procedimentos operacionais. Tente seguir esta hierarquia.

Outro ponto: Aqui estamos lidando com uma tarefa a ser realizada por várias mãos. Se você resolver fazer esta tarefa sozinho(a), muito provavelmente irá elaborar um documento incompleto.

2 – Quebre o trabalho em pequenas tarefas

Qualquer trabalho a ser realizado é composto por várias tarefas: um simples trabalho de movimentar uma carga manual de um lado para o outro, é composto por no mínimo 5 a 6 diferentes tarefas:

  • Identificar o local onde será removida esta carga
  • Identificar o local esta carga será deixada;
  • Abaixar/levantar o tronco (Caso a carga seja leve e esteja em altura adequada para não haver necessidade do uso de auxilio mecânico)
  • Se deslocar de um local ao outro com a carga
  • Abaixar levantar o tronco no local de entrega da carga
  • E por aí vai.

Então, a segunda coisa a ser feita é quebrar o trabalho em pequenas tarefas. Mantenha na ordem em que estas tarefas são realizadas.

Você como profissional de SST, em primeiro momento, não tem que ser o mestre conhecedor de todas as tarefas a serem realizadas. Conte com o auxílio dos responsáveis pela execução da atividade e supervisores.

3- Identifique os perigos 

Os perigos devem ser identificados tão logo sejam observados após a análise das tarefas. Para facilitar o ato de identificar os perigos, uma série de questões devem ser feitas e respondidas pelos próprios participantes da elaboração da APR:

  • Existe algum ponto de prensamento para mãos e dedos ou alguma parte do corpo que possa ser arrastado para partes rotativas do equipamento ou máquina a ser utilizada?
  • O equipamento a ser utilizado, por si só, apresenta algum tipo de risco de lesão ao usuário? Quais riscos?
  • Durante o uso do equipamento ou máquina, existe risco de queda ou escorregão por parte do usuário?
  • Alguma parte do equipamento ou máquina pode ser tornar um DROPS (queda de alguma parte do equipamento em altura)
  • Existe algum risco de lesão na realização da tarefa, oriundo do ato de levantar, puxar ou empurrar?
  • Existe algum risco de queimadura?
  • Os trabalhadores diretamente envolvidos na tarefa, e aqueles indiretamente envolvidos, estão expostos há algum risco descrito na NR 9? (Químico, físico, biológico)
  • Algum aspecto ergonômico apresenta risco iminente?

As perguntas acima são exemplos. Sugiro que entenda o “modus operandi” e aumente esta lista.

4- Desenvolva as medidas preventivas

Após identificar os perigos que a atividade expõe os profissionais diretos e indiretos, é hora de identificar e desenvolver as medidas preventivas.

Existem várias bibliografias com hierarquias de controle. Gosto desta aqui:

  • Eliminação – Elimine o risco fisicamente. Considerado a forma mais eficaz para melhorar a segurança na realização das atividades. Entretanto, é também o mais caro e mais difícil de implementar.
  • Substituição – Substitua o perigo por um menor: geralmente isto é feito através de alguma adaptação ao equipamento ou forma de realizar a atividade;
  • Controle de Engenharia – Geralmente isola o perigo das pessoas. Um método eficaz, porém de implementação no longo prazo.
  • Medidas administrativas. Mude a forma como as pessoas trabalham – Possui resultado no curto prazo, porém, muitas vezes é ineficaz no longo prazo, uma vez que a nova forma de realizar a atividade pode ser mais devagar e/ou mais caro, prejudicando assim a produtividade e os resultados financeiros da companhia;
  • Uso de EPI – minimize os impactos dos perigos no trabalhador com o uso de equipamentos de proteção individual

Ponto a ser observado: Caso sua medida de controle crie outros perigos diferentes daqueles analisados, volte a etapa 3.

5 – Documente e divulgue aos funcionários os resultados da APR

Após finalizar a APR – Análise Preliminar de Riscos, todas as informações devem ser documentadas para consulta e todos os funcionários da companhia que se expõe aos perigos identificados devem ser informados quanto aos resultados da APR.

É importante salientar que uma APR é um documento vivo, e não deve ser mantida guardada para ser mostrada ao auditor quando em alguma auditoria.

O documento deve possuir uma cópia controlada em local de fácil acesso aos trabalhadores, e obviamente deve ter um texto compatível com o nível intelectual dos funcionários: Caso a mão de obra tenha baixa escolaridade, não adianta usar termos como “hazard”, “control measures”, DROPS… eles não vão entender e a APR será um papel perfumado e vazio.

6-Revise a APR – Análise Preliminar de Risco

Conforme já havia dito, a APR é um documento vivo, que deve ser atualizado sempre que houver uma mudança na forma de executar uma atividade, melhoria em algum equipamento ou máquina, ou mesmo remoção de uma parte do processo.

As vezes, por se tratar de ações simples, tendemos a acreditar que não há necessidade de atualização do documento, negligenciando assim, os novos perigos que os funcionários estão expostos. Não seja ingênuo: Qualquer modificação no processo expõe os colaboradores a outros riscos, mesmo que sejam relacionados a saúde mental, como estresse e burnout.

Elaborar uma APR eficaz é condição sine qua non para manter um ambiente sem eventos desagradáveis, como acidentes, incidentes, doenças do trabalho, quase acidentes, etc. Depende de você, como SST da empresa, entender isto e aplicar no seu dia a dia as ações previstas neste texto para ter sucesso na prevenção da vida.

Lembrem-se: “as pressas passam, as marcas ficam.”

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